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Ana Calhôa

A energia que nasce do que sobra

25 Jun 2025 - 09:10

Opinião

Nem toda a revolução faz barulho. Em várias partes do país, longe dos holofotes e das grandes infraestruturas, há um novo modelo energético a ganhar força – mais limpo, mais local, mais inteligente.

Não depende do sol a brilhar todos os dias, nem do vento a soprar à hora certa, mas sim daquilo que normalmente descartamos, que são os resíduos, e da capacidade de os transformar em energia com valor real para as comunidades.

Ao contrário do que muitas vezes se pensa, soluções energéticas eficazes não têm de ser colossais ou visíveis à distância. A resposta pode estar nos restos alimentares, nos resíduos florestais e nos urbanos, como a margarina, molhos fora do prazo.

A bioenergia avançada não resolve apenas um problema energético, resolve também um problema de desperdício. Quando se dá este duplo salto da gestão de resíduos para a produção de energia limpa está-se a criar algo maior: comunidades mais autónomas e resilientes.

A bioenergia avançada não resolve apenas um problema energético, resolve também um problema de desperdício.

Portugal tem uma diversidade de territórios e uma riqueza de recursos biológicos que são muitas vezes subaproveitados. Não faltam zonas rurais com potencial para gerar energia a partir da biomassa, nem conhecimento técnico para implementar soluções adaptadas à escala local.

O que falta, por vezes, é ligar os pontos, criar pontes entre os produtores de resíduos, os tecnólogos, os decisores locais e os cidadãos. Quando damos pedal a esta transformação tão simples, o impacto vai muito além da energia gerada. Há criação de emprego, fixação de população e um sentimento de pertença reforçado.

Falar de sustentabilidade é, cada vez mais, falar de proximidade aliada à capacidade de um território a cuidar de si próprio, de reduzir dependências e de valorizar o que é seu.

O que falta, por vezes, é ligar os pontos, criar pontes entre os produtores de resíduos, os tecnólogos, os decisores locais e os cidadãos.

A bioenergia avançada encaixa perfeitamente neste paradigma. Não é uma promessa futurista, é uma solução atual, com resultados concretos, escalável, e que pode mudar a forma como vivemos a energia em Portugal.

Há todo um país com vontade de fazer diferente. A bioenergia não vem para substituir tudo, nem para competir com outras renováveis. Vem para complementar, para integrar, para dar resposta onde outras fontes não chegam tão bem.

E, acima de tudo, vem para provar que, quando se alia inovação à lógica do território, pode nascer um caminho sólido para a construção de comunidades verdadeiramente sustentáveis.