Um dos estudos mais citados sobre este tema foi realizado pela Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca, que analisou todo o ciclo de vida dos diferentes tipos de sacos: plástico convencional, plástico reciclado, papel, algodão e bioplásticos. Nesta Avaliação do Ciclo de Vida de Sacos para Compras, o organismo público dinamarquês responsável pelas políticas ambientais do país concluiu que “os sacos de papel têm impactos ambientais significativamente superiores aos sacos de plástico convencional em várias categorias”, incluindo consumo energético e emissões atmosféricas, sobretudo devido à produção do papel.
Segundo o relatório, um saco de papel teria de ser reutilizado “43 vezes” para apresentar um impacto climático equivalente ao de um saco leve de plástico convencional reutilizado uma vez como saco do lixo doméstico. Isto porque, como explicam aos autores do estudo, “os sacos de papel apresentam maiores impactos ambientais devido ao consumo elevado de energia e água durante a produção”.
Resultados semelhantes surgem num estudo da Agência Ambiental do Reino Unido, a entidade pública britânica responsável pela proteção ambiental e gestão de recursos naturais, concluiu também em 2006, num relatório sobre a Avaliação do Ciclo de Vida de Sacos de Compras, que os sacos de papel geram mais emissões de gases com efeito de estufa durante a produção do que os sacos de plástico de utilização única. O documento refere ainda que “os sacos de papel teriam de ser reutilizados pelo menos três vezes para reduzir o seu potencial de aquecimento global para níveis equivalentes aos dos convencionais sacos de plástico”.
Segundo um estudo da Agência de Proteção Ambiental da Dinamarca, “os sacos de papel apresentam maiores impactos ambientais devido ao consumo elevado de energia e água durante a produção”.
No entanto, isto não significa que os sacos de plástico sejam ambientalmente benignos. A principal diferença surge no destino final dos resíduos, como assinala um relatório sobre os plásticos de uso único, elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Ambiente (UNEP), que alerta para o impacto persistente da poluição plástica nos ecossistemas marinhos. No documento, o UNEP recorda que muitos plásticos descartáveis permanecem no ambiente durante décadas ou séculos, fragmentando-se em microplásticos. “Os impactos ambientais dos plásticos descartáveis vão muito além da fase de utilização, especialmente quando escapam aos sistemas de gestão de resíduos”, reafirmam os investigadores.
É precisamente aqui que os sacos de papel apresentam vantagens. O papel degrada-se mais rapidamente na natureza, é geralmente mais fácil de reciclar e tende a gerar menos persistência ambiental quando abandonado. Um relatório da Agência Europeia do Ambiente sublinha mesmo que “os resíduos plásticos constituem a maioria do lixo marinho europeu e representam um dos principais problemas ambientais costeiros”.
Ao contrário do plástico, o papel degrada-se mais rapidamente na natureza, é geralmente mais fácil de reciclar e tende a gerar menos persistência ambiental quando abandonado.
Outro aspeto frequentemente ignorado é que o impacto ambiental de qualquer saco depende fortemente da reutilização. O relatório dinamarquês conclui que reutilizar repetidamente um saco – independentemente do material – é normalmente mais importante do que o material em si. Em muitos cenários, um saco reutilizável de plástico grosso pode ter um impacto inferior a vários sacos de papel descartáveis usados apenas uma vez.
Assim, a afirmação de que “sacos de papel são sempre mais ecológicos do que sacos de plástico” é enganadora. Os estudos científicos mostram que os sacos de papel tendem a apresentar impactos superiores em produção, consumo energético e emissões de carbono, embora tenham vantagens relevantes na biodegradabilidade e na persistência ambiental. A resposta depende do critério analisado e, sobretudo, da reutilização efetiva. Em termos ambientais, não existe um material milagroso: o fator mais importante continua a ser reduzir o consumo descartável e reutilizar os sacos o maior número de vezes possível.