Um dos estudos mais citados neste âmbito é o de Downs et al. (2016), publicado na revista Archives of Environmental Contamination and Toxicology, que demonstrou o quanto a oxibenzona é tóxica para corais, mesmo em concentrações extremamente baixas – inferiores a 1 micrograma por litro. Os investigadores observaram deformações em larvas de coral, danos no ADN e uma aceleração do processo de branqueamento, fenómeno em que os corais perdem as algas simbióticas que lhes fornecem nutrientes e cor, podendo levar à sua morte.
Em 2022, uma nova pesquisa, publicada na revista Science, demonstrou que corais e anémonas marinhas metabolizam a oxibenzona em compostos fototóxicos, ou seja, que se tornam tóxicos sob exposição solar. Esta reação foi associada a taxas elevadas de mortalidade nos organismos estudados.
Mas os efeitos negativos não se limitam aos corais. Uma revisão publicada em 2023 na Science of The Total Environment, identificou consequências adversas da exposição a filtros solares em peixes, ouriços-do-mar, bivalves e até no fitoplâncton. Entre os impactos observados estão alterações hormonais, disfunções reprodutivas, stress oxidativo e malformações em organismos juvenis.
A oxibenzona, substância presente em grande parte dos protetores solares, é tóxica para corais, mesmo em concentrações extremamente baixas – inferiores a 1 micrograma por litro.
Estas substâncias entram no ambiente marinho não apenas com os banhistas, mas também através das águas residuais que contêm os restos de protetor solar removido no duche. Um estudo conduzido no Havai encontrou concentrações de oxibenzona na água entre 0,8 e 19 microgramas por litro em áreas turísticas – valores comparáveis aos níveis tóxicos detetados em laboratório.
Face a estes riscos, diversos países e territórios já adotaram medidas legislativas para restringir o uso destes protetores solares. Desde 2021, o estado do Havai proibiu a venda de marcas que contenham oxibenzona e octinoxato, sendo seguido por outros destinos turísticos, como Palau, Bonaire, as Ilhas Virgens Americanas e Aruba. O governo de Palau, por exemplo, considerou estas substâncias como “poluentes tóxicos para o recife de coral e para a vida marinha”. Na União Europeia, a oxibenzona continua autorizada, mas com restrições de concentração e obrigatoriedade de rotulagem.
A par das medidas políticas, várias organizações científicas e ambientais recomendam a utilização de protetores solares minerais. Estes atuam por reflexão física dos raios UV e contêm ingredientes como óxido de zinco ou dióxido de titânio em formato não-nano, que segundo a Ocean Foundation “não apresentam evidência significativa de toxicidade marinha quando usados de forma adequada”.
Corais e anémonas marinhas metabolizam a oxibenzona em compostos fototóxicos, ou seja, que se tornam tóxicos sob exposição solar.
Além disso, a protecção solar não tem de depender exclusivamente de loções: roupas com proteção UV, chapéus, guarda-sóis e o simples evitar as horas de maior intensidade solar são estratégias complementares também eficazes e ecologicamente seguras.
Os dados científicos disponíveis demonstram assim de forma consistente que certos filtros UV químicos presentes em protetores solares – nomeadamente a oxibenzona – são prejudiciais para os ecossistemas marinhos. O seu uso está associado a efeitos tóxicos em corais, plâncton, moluscos e peixes, contribuindo para o declínio da biodiversidade oceânica.
Em suma, proteger a pele do sol não tem de comprometer a saúde dos oceanos, pois existem alternativas eficazes e seguras.