Os mosquitos em Portugal, incluindo espécies como Culex pipiens ou Aedes albopictus, desempenham um papel essencial em vários ecossistemas, com as suas larvas aquáticas, abundantes em zonas húmidas e charcos urbanos, a servirem de alimento para peixes, larvas de libélulas e anfíbios.
Um estudo conduzido no Jardim Zoológico de Lisboa registou cinco espécies de mosquitos, sendo a mais comum a Culex pipiens, com atividade não apenas no verão mas também em meses frios.
Além disso, está provado que estas larvas contribuem para a reciclagem da matéria orgânica nos habitats aquáticos, atuando como microfiltradores e promovendo a saúde dos ecossistemas de água doce.
Até mesmo a espécie invasora Aedes albopictus, detetada em Portugal continental nas zonas de Lisboa e do Algarve, associada a riscos de transmissão de doenças como dengue e Zika, também já está integrada nas cadeias alimentares locais, servindo de presa para aves insectívoras e outros predadores.
As larvas dos mosquitos contribuem para a reciclagem da matéria orgânica nos habitats aquáticos.
Quanto às vespas, estudos realizados em três áreas protegidas portuguesas (Parque Natural do Douro Internacional, Serra de Aire e Candeeiros e Paúl do Boquilobo) identificaram 134 espécies de vespas Spheciformes (familias Ampulicidae, Sphecidae, Crabronidae), correspondendo a cerca de 1/3 das espécies conhecidas na Península Ibérica. Muitas destas espécies são predadoras de outros insetos, contribuindo à regulação natural de populações de pragas.
Entre essas destaca‑se a vespa Tachytes etruscus, que captura gafanhotos para alimentar a prole nos seus ninhos subterrâneos. Esta espécie preda exclusivamente insetos da ordem Orthoptera, que inclui gafanhotos e grilos, ajudando assim a controlar populações que, ao crescer, poderiam afetar vegetação e culturas.
Outra espécie fundamental para a agricultura é a Cerceris tuberculata, uma vespa europeia ativa entre julho e setembro, que se alimenta de coleópteros como os gorgulhos, contribuindo assim para o controlo biológico de pragas.
A vespa do barro captura dezenas de lagartas por ninho para alimentar a descendência, funcionando assim como um agente natural de controlo de lagartas e afídeos.
Além disso, espécies como Ancistrocerus gazella, popularmente conhecida como vespa do barro, capturam dezenas de lagartas por ninho para alimentar a descendência, funcionando também como agentes naturais de controlo de lagartas e afídeos (vulgo pulgões). Depois de adultas, estas vespas alimentam-se de néctar, contribuindo ainda para a polinização de plantas locais.
Outro exemplo interessante é a vespa parasitóide Hedychrum nobile, presente no sul da Europa, que deposita ovos nos ninhos de outras vespas, regulando assim populações sem causar qualquer dano aos humanos.
Por último, não podemos deixar de referir a vespa Trichilogaster acaciaelongifoliae, uma espécie australiana introduzida em Portugal em 2015, que tem sido utilizada no combate biológico à mimosa invasora, com resultados bastante positivos na contenção desta planta exótica.
Desde 2015 que o combate biológico à mimosa invasora é feito com recurso a uma espécie de vespa australiana e com resultados bastante positivos.
Ou seja, a perceção de mosquitos e vespas serem apenas pragas incómodas está cientificamente errada. Em Portugal, várias espécies destes insetos são uma parte essencial dos ecossistemas, como polinizadores, predadores, parasitóides e presas de outros animais, pelo que erradicá-las teria diversos efeitos negativos em cadeia.
O controlo científico e equilibrado é possível e até, nalguns casos, necessário, mas exige compreensão do papel ecológico de cada espécie. Afinal, a biodiversidade não é apenas feita de espécies “agradáveis”, mas sim de interações complexas e fundamentais para a estabilidade ecológica.