Uma das entidades que mais tem acompanhado a evolução da mobilidade elétrica é a Agência Internacional de Energia (IEA), que no relatório Global EV Outlook 2025 recorda como “os veículos elétricos são uma tecnologia central para reduzir o consumo energético e as emissões do setor dos transportes”. Esta organização intergovernamental, criada no âmbito da OCDE para apoiar políticas energéticas, sublinha ainda no mesmo documento que “os motores elétricos convertem uma percentagem muito superior da energia em movimento útil”, quando comparados com motores de combustão interna.
Essa diferença de eficiência é confirmada por vários estudos técnicos, conforme o demonstra um relatório do National Renewable Energy Laboratory, o laboratório nacional do Departamento de Energia dos Estados Unidos dedicado à investigação em energias renováveis e eficiência energética, ao concluir que “os veículos elétricos apresentam rácios de eficiência energética substancialmente superiores aos automóveis convencionais”. O estudo refere por exemplo que os veículos elétricos conseguem converter a maior parte da eletricidade recebida em energia motriz, enquanto os motores de combustão desperdiçam grande parte da energia sob a forma de calor.
Segundo um estudo da Agência Internacional de Energia, “os motores elétricos convertem uma percentagem muito superior da energia em movimento útil”, quando comparados com motores de combustão interna.
É verdade que o carregamento não é totalmente eficiente. Parte da eletricidade perde-se sob a forma de calor durante a transferência de energia para a bateria. Mas os estudos disponíveis mostram que essas perdas estão longe de anular as vantagens energéticas dos veículos elétricos. Um estudo experimental realizado na Alemanha, por cientistas ligados ao Centro Aeroespacial Alemão, mediu diretamente a eficiência de diferentes métodos de carregamento. A investigação constatou que o carregamento DC atingiu eficiências superiores a 95%, enquanto o carregamento AC variou entre cerca de 85% e 87%. Mesmo considerando essas perdas, os valores permanecem muito acima da eficiência típica de motores a gasolina ou gasóleo, frequentemente situada entre 20% e 30%.
Também o Argonne National Laboratory, laboratório nacional norte-americano ligado ao Departamento de Energia dos EUA e especializado em sistemas energéticos e transportes, publicou vários trabalhos sobre eficiência de veículos elétricos. Num modelo técnico aí realizado e baseado em dados laboratoriais do Nissan Leaf, os investigadores estimaram uma eficiência global do sistema de carregamento e bateria na ordem dos 85%. Ainda assim, o estudo mostra que o consumo energético total continua claramente inferior ao de veículos equivalentes com motor térmico.
Outro argumento frequentemente usado é que os carros elétricos “gastam demasiada eletricidade” quando carregados. Mas os números globais atualmente disponíveis não sustentam essa ideia. Segundo o mesmo relatório Global EV Outlook 2025, da IEA, toda a frota mundial de veículos elétricos consumiu cerca de 180 TWh de eletricidade em 2024, o equivalente a aproximadamente 0,7% do consumo final global de eletricidade. E embora este valor esteja a crescer rapidamente, a IEA considera que o aumento é gerível para a maioria das redes elétricas, sobretudo quando os carregamentos são distribuídos ao longo do dia.
Ainda segundo a Agência Internacional de Energia, toda a frota mundial de veículos elétricos consumiu cerca de 180 TWh de eletricidade em 2024, o equivalente a aproximadamente 0,7% do consumo final global de eletricidade.
Além da eficiência energética direta, vários estudos analisam o impacto climático ao longo do ciclo de vida completo dos veículos. Um dos mais citados é o relatório “Uma comparação global das emissões de gases com efeito de estufa ao longo do ciclo de vida dos automóveis de passageiros com motor de combustão e elétricos”, publicado pelo Conselho Internacional para os Transportes Limpos (ICCT), uma organização internacional independente e sem fins lucrativos, especializada em políticas ambientais para os transportes, segundo o qual “os veículos elétricos apresentam emissões significativamente inferiores às dos automóveis a combustão ao longo de todo o seu ciclo de vida”, incluindo produção da bateria, utilização e eletricidade consumida.
Uma atualização europeia mais recente do mesmo organismo, publicada em 2025, estima igualmente que os carros elétricos vendidos na União Europeia emitam, em média, “73% menos gases com efeito de estufa ao longo do ciclo de vida” do que veículos equivalentes a gasolina. Segundo a autora deste relatório, “o progresso deve-se em grande parte à rápida expansão da eletricidade renovável na Europa e à maior eficiência energética dos veículos elétricos”.
Isso não significa que os carros elétricos sejam isentos de impacto ambiental. A extração de minerais para baterias, o fabrico industrial e a necessidade de reforço das infraestruturas elétricas continuam a levantar desafios ambientais e energéticos reais. Também as perdas de carregamento e a eficiência variável em temperaturas extremas são aspetos relevantes, amplamente estudados pela literatura científica. Ainda assim, a afirmação de que os carros elétricos “gastam mais energia a carregar do que poupam” não é sustentada pelas evidências disponíveis.
Os estudos técnicos e os relatórios oficiais convergem numa conclusão consistente: apesar das perdas durante o carregamento, os veículos elétricos utilizam a energia de forma muito mais eficiente do que os automóveis com motor de combustão interna e apresentam, na maioria dos cenários analisados, consumos energéticos e emissões significativamente inferiores ao longo da sua vida útil.