Os fornos micro-ondas utilizam radiação eletromagnética na faixa das micro-ondas, que é não-ionizante. Isto significa que a energia transportada não é suficiente para remover eletrões dos átomos nem para danificar diretamente o ADN ou outras estruturas moleculares dos alimentos ou do organismo humano. O calor gerado no interior do forno resulta da vibração das moléculas de água presentes nos alimentos, processo puramente térmico que não transforma os alimentos nem os torna radioativos.
Conforme explica a Food and Drug Administration (FDA), agência pública dos Estados Unidos responsável pela regulação de produtos emissores de radiação, “os fornos cuja produção e uso obedecem aos padrões regulamentares são considerados seguros”, acrescentando ainda que “as micro-ondas deixam de ser geradas quando o aparelho é desligado”, e que, mesmo durante o funcionamento, “a radiação é confinada no interior do aparelho.”
A segurança dos micro-ondas não é apenas uma questão teórica. Estudos empíricos confirmaram ainda que em condições normais de utilização, a exposição do utilizador é sempre é mínima. Um dos melhores exemplos disso mesmo é um estudo realizado no terreno na Arábia Saudita, conduzido por investigadores da Universidade King Saud University, que mediu os níveis de radiação em 106 fornos domésticos e comerciais.
Os resultados demonstraram que apenas um aparelho excedeu os limites internacionais de segurança, enquanto a maioria apresentava fugas muito abaixo dos valores considerados seguros. Os autores concluíram assim que “a exposição do utilizador à radiação de radiofrequência proveniente de fornos micro-ondas é muito inferior aos limites de exposição da população definidos pelas normas internacionais” e que “é improvável um efeito prejudicial à saúde”.
A ciência comprova que não existem efeitos adversos consistentes em humanos resultantes do uso doméstico de micro-ondas, desde que os aparelhos estejam intactos e funcionem dentro das normas de segurança.
Diversas agências reguladoras de diferentes países reforçam esta avaliação, como é o caso da ARPANSA, o órgão público federal australiano que tem como missão regular a proteção radiológica no país, sendo reconhecida internacionalmente pela produção de diretrizes sobre radiação não-ionizante. Segundo esta agência “os fornos micro-ondas corretamente usados oferecem um método seguro e conveniente de preparação de alimentos, sem efeitos prejudiciais na segurança do consumidor ou na nutrição”.
A literatura científica disponível confirma assim que não existem efeitos adversos consistentes em humanos resultantes do uso doméstico de micro-ondas, desde que os aparelhos estejam intactos e funcionem dentro das normas de segurança.
O maior risco identificado é associado a aparelhos danificados. Por exemplo, com vedações comprometidas, portas desalinhadas ou ferrugem, que podem permitir fugas de radiação acima dos limites recomendados. Nestes casos, a exposição direta e prolongada a níveis elevados de micro-ondas poderia causar efeitos térmicos localizados, como queimaduras, mas não há evidência de que provoque danos crónicos à saúde.
A afirmação de que “as radiações dos fornos micro-ondas são prejudiciais para a saúde” não se encontra portanto suportada pela evidência científica. Quando o forno é utilizado de acordo com as instruções do fabricante e se encontra em bom estado, as micro-ondas são confinadas no interior do aparelho, o aquecimento é seguro e não existe risco significativo para a saúde. A utilização responsável destes aparelhos continua a ser considerada um método eficiente e seguro para a preparação de alimentos no contexto doméstico.