O consenso científico sobre as alterações climáticas tem sido bem documentado. Em 1988, as Nações Unidas e a Organização Meteorológica Mundial fundaram o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), composto por 195 países, para que fizesse atualizações regulares sobre o aquecimento global.
Já em 2013, o IPCC concluía que as provas científicas do aquecimento global são “inequívocas” e que a principal causa é o aumento do dióxido de carbono na atmosfera em resultado da queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos. O IPCC continua a avaliar o fenómeno, emitindo periodicamente novos relatórios, elaborados por centenas de especialistas de todo o mundo.
No mesmo ano, uma ampla revisão da literatura científica reforçou o consenso. Investigadores analisaram milhares de artigos revistos por pares sobre as alterações climáticas e concluíram que 97,1% da comunidade científica concorda que a ação humana é um fator determinante para a crise climática.
“A narrativa apresentada por alguns dissidentes é que o consenso científico está à beira do colapso”, lê-se no estudo. “Uma revisão sistemática e exaustiva da literatura fornece provas quantitativas que contrariam esta afirmação. O número de artigos que rejeitam o aquecimento global antropogénico é uma proporção minúscula da investigação publicada, com a percentagem a diminuir ligeiramente ao longo do tempo.”
Já em 2013, o Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas concluía que as provas científicas do aquecimento global são “inequívocas” e que a principal causa é o aumento do dióxido de carbono na atmosfera em resultado da queima de combustíveis fósseis.
Mais recentemente, em 2021, esta percentagem de consenso foi atualizada, rondando atualmente os 100%. O estudo mais recente concluiu que mais de 99,9% dos artigos científicos revistos por pares referem que as alterações climáticas são principalmente causadas pelos seres humanos.
“Naturalmente, é improvável que a prevalência de desinformação sobre o papel das emissões de gases com efeito de estufa nas alterações climáticas modernas seja motivada apenas por uma verdadeira iliteracia científica ou falta de compreensão. Mesmo assim, na nossa opinião, continua a ser importante continuar a informar a sociedade sobre o estado das provas”, lê-se no estudo.
A par destes estudos e dos relatórios do IPCC, a maioria das principais organizações científicas de todo o mundo já manifestou uma concordância clara em relação às provas do aquecimento global provocado pelo ser humano. A NASA, por exemplo, lista 200 organizações científicas mundiais, 11 academias científicas internacionais e 18 associações científicas americanas que emitiram declarações em linha com esse consenso.
O estudo mais recente concluiu que mais de 99,9% dos artigos científicos revistos por pares referem que as alterações climáticas são principalmente causadas pelos seres humanos.
“É importante lembrar que os cientistas se concentram sempre nas provas e não nas opiniões. As provas científicas continuam a mostrar que as atividades humanas (principalmente a queima humana de combustíveis fósseis) aqueceram a superfície da terra e as suas bacias oceânicas, que por sua vez continuaram a ter impacto no clima da terra. Isto baseia-se em mais de um século de provas científicas que constituem a espinha dorsal estrutural da civilização atual”, sublinha a organização.
Além da comunidade científica, as alterações climáticas e a sua ligação às atividades humanas são reconhecidas por uma ampla gama de entidades, incluindo organizações internacionais, governos, instituições académicas, ONGs, empresas e até entidades religiosas. O Papa Francisco, por exemplo, tem sido um defensor vocal da ação climática, destacando a responsabilidade moral de combater as alterações climáticas.
Além da comunidade científica, as alterações climáticas e a sua ligação às atividades humanas são reconhecidas por uma ampla gama de entidades, incluindo organizações internacionais, governos, instituições académicas, ONGs, empresas e até entidades religiosas.
Apesar deste consenso esmagador, a perceção pública nem sempre reflete a realidade. Em fevereiro deste ano, um inquérito feito nos Estados Unidos da América (EUA) concluiu que que o chamado “negacionismo climático” persiste em perto de 15% da população. O estudo também concluiu que Donald Trump é o maior influenciador desta tendência no X, anterior Twitter, a par de comentadores políticos conservadores como Ben Shapiro.
Em Portugal, números recentes sugerem que o “negacionismo climático” não é tão premente. No estudo Global Predictions, que engloba 34 países, Portugal figura como a nação que mais teme efeitos das alterações climáticas.