Segundo o novo relatório Estado do Clima Global, a atmosfera terrestre tem níveis dióxido de carbono superiores aos registados em qualquer momento dos últimos 2 milhões de anos.
Já no que diz respeito a outros gases com efeito de estufa como o óxido nítrico ou metanos, há 800 mil anos que o planeta não tinha uma concentração tão alta na sua atmosfera.
Isto significa que os níveis de dióxido carbono estão a 151% dos níveis pré-industriais, os de óxido nítrico estão a 125% e os de metano, um dos mais potentes gases com efeito de estufa, a 265%.
Mais de 90% do aquecimento global regista-se nos oceanos, que têm vindo a absorver níveis cada vez maiores de energia térmica.
Os níveis de gases com efeito de estufa na atmosfera encontram-se neste momento nas 420 partes por milhão (ppm) e estes aumentam a um ritmo cada vez mais acelerado com um incremento acima de 2 ppm desde 2001.
Para o meteorologista Manuel Costa Alves, “a manter-se este incremento, o limite crítico de 450 ppm, correspondente a um aumento de 2º C da temperatura média global, relativamente ao início da evolução industrial, será atingido daqui a aproximadamente 13 anos.”
O cenário geopolítico agravado pela saída dos EUA do acordo de Paris e a aposta de Donald Trump numa intensificação da exploração de combustíveis fósseis fazem o meteorologista prever um agravamento ainda mais acentuado da situação.
A contabilidade dos níveis de gases com efeito de estufa deste relatório é feita tendo em conta as emissões antropogénicas (oriundas da atividade humana) bem como as emissões naturais e os mecanismos naturais de absorção de CO2, nomeadamente as florestas e os oceanos.
Mesmo tendo em conta que a capacidade de absorção do planeta varia, entre 2014 e 2023, só 52% das emissões com origem humana foram reabsorvidas pelo planeta, tendo o restante ficado na atmosfera.
Em 2024 seguiu-se uma tendência com 10 anos em que cada um deles foi o mais quente até então. O ano em questão foi, aliás, o primeiro em que a média da temperatura foi mais de 1.5C superior à média 1850-1900, tendo atingido os 1.55C.
“Em 2017, após a catástrofe dos incêndios rurais e das ondas de calor mortíferas, os governantes assumiram, finalmente, que os fenómenos extremos se inserem num quadro de alterações climáticas que não encontra resolução com as medidas de transição energética desigualmente introduzidas no planeta”, afirma Manuel Costa Alves
Mais de 90% do aquecimento global regista-se nos oceanos, que têm vindo a absorver níveis cada vez maiores de energia térmica. Nos últimos 20 anos, os oceanos absorveram uma média de 11,5 zetajoules de energia por ano. Para termo de comparação, toda a humanidade consome, ao longo de um ano, meio zetajoule de energia.
Em resultado disto, o nível da água do mar continua a subir, os oceanos continuam a acidificar e os glaciares continuam a recuar.
Para Manuel Costa Alves, Portugal apresenta vulnerabilidades consideráveis em relação aos impactos destes fenómenos, pois “o nosso país é muito vulnerável aos novos riscos a que está sujeito numa área de clima mediterrânico, com a estação chuvosa a manifestar maior variabilidade da precipitação (tal como as estações de transição) e verões com ondas de calor mais frequentes e intensas.”
Como se isso não bastasse, sublinha o meteorologista, “há os outros efeitos provenientes de chuvas muito intensas em curtos intervalos de tempo, de secas com menor período de recorrência, de situações com intensidade ciclónica, nomeadamente tropical, e da subida do nível do mar fustigando os ecossistemas litorais e as zonas urbanas ribeirinhas”.