Para começar, é importante clarificar o conceito de consumo em standby, também chamado de “vampire load” ou “phantom power”, referente à energia elétrica que os aparelhos continuam a usar mesmo quando parecem estar “desligados” ou em pausa, embora permaneçam ligados à corrente.
Segundo um relatório da Agência internacional de Energia, os aparelhos em standby representem entre 8% e 22% do consumo elétrico das habitações, dependendo do contexto. Este valor, ainda segundo o mesmo documento, traduz-se num contributo significativo para o consumo global de eletricidade e até para as emissões de CO₂, “contabilizando aproximadamente 1% das emissões globais de CO₂”.
Também, o projeto europeu SELINA, liderado pelo Instituto de Sistemas e Robótica (ISR) da Universidade de Coimbra (Portugal), recolheu dados sobre o consumo em modo “standby” e “off” (desligado mas ainda ligado à tomada) em 12 países da UE, medindo mais de seis mil aparelhos diferentes. Os resultados dessa campanha de medição mostraram que muitos equipamentos ainda absorvem potência significativa mesmo quando aparentemente inativos, e foram usados para fundamentar regulações da União Europeia.
No artigo académico resultante desse projeto, os autores referem que esse tipo de carga permanente é “uma importante questão porque representa cargas permanentes (por vezes 24 h por dia) de um grande número de equipamentos”.
Segundo a Agência internacional de Energia, os aparelhos em standby representem entre 8% e 22% do consumo elétrico das habitações.
Uma investigação conjunta da Universidade de Curaçao e da Universidade de Twente, na Holanda, examinou 20 domicílios na ilha de Curaçao para medir o consumo de standby, estimando que cerca de 8% do consumo de eletricidade dos lares estava ligado a energia em modo standby, com uma potência média de standby de 50,3 W por habitação. Os autores demonstraram que, mediante algumas medidas técnicas (como reguladores ou controles automáticos) e, claro, muita sensibilização, é possível reduzir esse consumo até 43%.
A União Europeia, por exemplo, renovou recentemente (em 2023) os requisitos de ecodesign para aparelhos elétricos, definindo limites rigorosos para o consumo em “off mode”, standby e standby em rede, que começaram a ser aplicados a partir de maio deste anos. Com estas medidas, de acordo com a Direção-Geral da Energia da CE, estima-se poupar 4 TWh/ano até 2030 – o equivalente à eletricidade usada por mais de um milhão de carros elétricos.
Outro estudo académico, este conduzido nas Filipinas, mediu diversos aparelhos comuns (televisores, micro-ondas, routers, etc.) e registou consumos de standby entre 0,1 W e 3 W por equipamento, valores que a princípio parecem baixos, mas que, acumulados durante um ano, podem corresponder a até 3,34% de poupança energética se os aparelhos forem desligados da tomada.
Algumas intervenções práticas poderiam servir para reduzir esse desperdício, como demonstrou um teste realizado na Universidade de Clemson. Segundo esta instituição pública de ensino superior da Carolina do Norte, EUA, conhecida pela investigação em áreas como engenharia, construção e sustentabilidade, a solução poderia passar pela criação de um “interruptor de casa inteira”, que permitiria desligar em simultâneo todos os aparelhos de um circuito quando não estão em uso.
Os autores concluíram que tal dispositivo poderia reduzir significativamente o consumo residual. Nos EUA, o standby pode representar entre 4% e 12% da energia total de uma habitação, segundo o estudo.
A solução poderia passar pela criação de um “interruptor de casa inteira”, que permitiria desligar em simultâneo todos os aparelhos de um circuito quando não estão em uso.
Finalmente, uma revisão realizada já este ano na Roménia, por investigadores da Universidade de Engenharia de Targoviste e da Universidade Politécnica de Bucareste, publicada na revista Energies, compilou a literatura mais atual sobre este tema e reforça a ideia de que estratégias comportamentais (como desligar da tomada) combinadas com soluções tecnológicas (tomadas inteligentes, etiquetagem, regulamentos) podem produzir poupanças mais reais e sustentáveis.
A alegação de que “desligar os aparelhos eletrónicos da tomada não faz diferença” é assim falsa. E embora o consumo individual de cada aparelho em standby possa ser pequeno, os mais variados estudos académicos e relatórios oficiais indicam que este consumo é real, persistente e acumulável. Portanto, caminhar até uma tomada e puxar o cabo pode parecer um gesto pequeno mas, conforme demonstra a ciência, é um dos mais eficazes para evitar o desperdício invisível.