Uma das fontes mais citadas quando se aborda este tema é um estudo de “Avaliação do Ciclo de Vida” realizado pela consultora canadiana Ellipsos, que avaliou os impactos ambientais de uma árvore natural originária de uma plantação próxima de Montréal e de uma árvore artificial, fabricada na China e transportada via navio e comboio até Montréal. No modelo usado, ambas as árvores tinham cerca de 2 metros e para a artificial considerou-se um ciclo de vida médio de 6 anos, correspondente ao tempo que muitas árvores artificiais permanecem em uso na América do Norte.
A análise incluiu a extração e processamento de matérias-primas, fabrico, transporte, distribuição, uso, reutilização e eliminação final. Foram ainda avaliadas quatro categorias de impacto: saúde humana, qualidade dos ecossistemas, alterações climáticas e consumo de recursos.
O resultado do estudo da Ellipsos revela que, sob essas premissas, a árvore natural apresenta menor impacto ambiental do que uma árvore artificial usada por um só ano. Ou seja, se em cada Natal se optar por uma árvore natural nova, essa opção tende a ser mais sustentável que comprar uma árvore artificial e usá-la apenas uma vez. Contudo, o estudo aponta que se a árvore artificial for reutilizada por vários anos – idealmente por mais de 5 anos – o balanço pode inverter-se, com a artificial a tornar-se a opção com menor impacto em termos de ciclo de vida.
As árvores artificiais implicam impactos consideráveis, resultantes da extração de recursos não-renováveis, consumo energético na produção e emissões resultantes do transporte internacional.
Outro contributo relevante para o debate provém da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OECD), organização intergovernamental sediada em Paris e composta por 38 países, que produz análises independentes sobre sustentabilidade e políticas públicas. Num artigo dedicado ao impacto ambiental do Natal, este organismo refere que uma árvore natural de 2 metros, ao ser queimada após o uso, emite cerca de 3,5 kg de CO₂ equivalente, valor que pode subir para 16 kg CO₂e quando é enviada para aterro sem tratamento. Já uma árvore artificial de tamanho semelhante pode gerar cerca de 40 kg de CO₂e ao longo do seu fabrico e transporte, segundo estimativas reunidas pela OECD.
A implicação deste dado é clara: para a árvore artificial se tornar “mais ecológica” que a natural, tem de ser utilizada por um período suficientemente longo, talvez por uma década ou mais.
Além disso, os defensores das árvores naturais salientam que, quando cultivadas em viveiros apropriados e manejadas de modo sustentável, as árvores de Natal naturais também podem contribuir positivamente para o ambiente antes de serem cortadas, sequestrando carbono durante o seu crescimento e funcionando como abrigo para fauna e para estabilizar o solo.
Entidades como a ONG ambiental norte-americana The Nature Conservancy (TNC) destacam que as árvores naturais têm vantagens ambientais precisamente por não requererem plásticos, não consumirem combustível fóssil ou não dependerem de transporte transcontinental.
Por outro lado e ainda de acordo com a mesma organização, as árvores artificiais – geralmente compostas por PVC e metal, materiais derivados de combustíveis fósseis – implicam impactos consideráveis, resultantes da extração de recursos não-renováveis, consumo energético na produção e emissões resultantes do transporte internacional. Além disso, no fim da sua vida útil, muitas vezes terminam em aterros, dado que a sua reciclagem é complexa ou inviável.
Quando cultivadas em viveiros apropriados e manejadas de modo sustentável, as árvores de Natal naturais podem contribuir positivamente para o ambiente antes de serem cortadas.
São portanto muitas as variáveis que condicionam qual das duas opções é mais “amiga do ambiente”, como a distância percorrida para adquirir a árvore (seja ela natural ou artificial), a forma como a árvore natural é descartada (compostagem, corte e transformação em mulch, aterro ou queima), a qualidade da árvore artificial e sobretudo o tempo durante o qual esta será reutilizada.
Em muitos cenários reais a opção natural, quando adquirida de viveiros locais e reciclada corretamente, tende mesmo a ser mais sustentável, quando comparada, por exemplo, com o uso de uma árvore artificial por apenas 5 ou 6 anos.
Dado o conjunto destas evidências, torna-se impossível afirmar, de forma genérica e absoluta, que “as árvores de Natal artificiais são mais ecológicas do que as naturais”.
Em casas onde a árvore artificial é usada durante muitos anos, bem conservada e no final reciclada, a escolha pode eventualmente tornar-se menos impactante do que comprar repetidamente árvores naturais. Mas essa não é uma certeza universal e apenas faz sentido se a reutilização for prolongada. Em muitos casos, uma árvore natural, cultivada de forma sustentável, comprada localmente e reciclada após uso continua a ser, do ponto de vista ambiental, a opção mais defensável.
Como se constata, a realidade é sempre mais complexa do que as perceções mais simplistas. Se o objetivo for minimizar o impacto ambiental da decoração natalícia, a opção mais sólida permanece a de usar uma árvore natural vinda de viveiro sustentável, preferencialmente local, e assegurar que após as festividades a árvore seja reciclada de forma correta, ou optar por uma árvore artificial apenas com a convicção firme de a reutilizar durante muitos anos.