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Pureza Fleming

A diminuição de insetos polinizadores coloca em risco a produção agrícola?

21 Jun 2025 - 09:00
A diminuição das populações de abelhas é um fenómeno documentado e preocupante. Se estas não forem protegidas, poderá haver impactos sérios na produção de alimentos, na biodiversidade e nos ecossistemas, configurando um risco real de colapso parcial, ou mesmo generalizado, em determinadas regiões e culturas agrícolas.
verdadeiro

As abelhas são polinizadores essenciais. Segundo a FAO, cerca de 70% das culturas agrícolas dependem da polinização por insetos — e as abelhas são responsáveis pela maior parte desse trabalho. A sua ausência afeta diretamente a produção alimentar. Frutas, legumes, frutos secos, café e até algumas sementes para rações animais dependem desta prática.

Um estudo divulgado em 2016 pela ONU demonstra como a queda nas populações de polinizadores pode reduzir a produtividade agrícola e afetar a nutrição humana.

Um outro estudo, este publicado em 2019, pelo Parlamento Europeu, comprovou que as populações de abelhas na Europa estão, de facto, a diminuir, com “os apicultores a detetarem uma grande redução no número de colónias de abelhas, especialmente nos países no Oeste da União Europeia, como França, Bélgica, Espanha e Holanda”.

Logo em 2013, já na tentativa de travar esta condição, a União Europeia proibiu o uso de pesticidas neonicotinóides, considerados tóxicos para os polinizadores, em especial as abelhas.

Um estudo publicado em 2019 pelo Parlamento Europeu, comprovou que as populações de abelhas na Europa estão, de facto, a diminuir.

Um relatório de avaliação temática sobre “Polinizadores, Polinização e Produção de Alimentos“, realizado em 2017 pelo IPBES, um órgão intergovernamental independente, estabelecido com o objetivo de fortalecer as bases de conhecimento através da ciência com a missão de melhorar as políticas de conservação e uso sustentável da biodiversidade, destacou também “a importância dos polinizadores para a segurança alimentar e a necessidade de proteger esses organismos das diversas ameaças que enfrentam”, tais como: perda de hábitat, pragas e doenças, mudanças climáticas ou agricultura intensiva

Até porque a substituição dos insectos por meios artificiais ainda não é viável, apesar de algumas experiências já efetuadas com drones polinizadores. Os custos, a eficiência e a escala tornam esta solução simplesmente impraticável, face à dimensão do problema.