De acordo com os dados da Agência Europeia do Ambiente, em 2022 cada pessoa na União Europeia consumiu, em média, 19 kg de têxteis, incluindo roupa, calçado e têxteis para o lar, o que representou um aumento face a anos anteriores.
Nesse mesmo período, os Estados-Membros geraram cerca de 6,94 milhões de toneladas de resíduos têxteis, equivalentes a cerca de 16 kg por pessoa, mas apenas cerca de 15% foi recolhido de forma separada para reutilização ou reciclagem.
Além disso, estima-se que entre 4% e 9% dos produtos têxteis sejam destruídos antes mesmo de serem usados. Estes números mostram a magnitude do desperdício no setor, que é agravado por campanhas de consumo acelerado como a Black Friday.
Apesar da implementação obrigatória de sistemas de recolha separada de têxteis prevista a partir de 2025, a capacidade de reciclagem, alerta a mesma agência, ainda “precisa de ser reforçada para lidar com o volume crescente de resíduos”.
Segundo a Agência Europeia do Ambiente, só em 2022 cada pessoa na União Europeia consumiu, em média, 19 kg de têxteis, incluindo roupa, calçado e têxteis para o lar.
No caso da eletrónica, o problema é igualmente grave, pois segundo Global E-waste Monitor 2024, um relatório elaborado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), agência especializada da ONU em telecomunicações, e pelo Instituto das Nações Unidas para Formação e Investigação (UNITAR), agência de pesquisa e formação da ONU, só em 2022 foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos eletrónicos a nível mundial, equivalentes a cerca de 7,8 kg por pessoa.
O mesmo relatório prevê que até 2030 a produção anual de lixo eletrónico poderá atingir 82 milhões de toneladas se as tendências atuais se mantiverem.
Muitos dispositivos são rapidamente descartados devido à obsolescência programada ou ao lançamento contínuo de novos modelos, embora continuem funcionais em grande parte de suas capacidades, como o demonstrou um estudo da Cornell University, de Nova Iorque, sobre uma utilização mais prolongada de dispositivos entretanto já considerados obsoletos.
E momentos de consumo por impulso, como a Black Friday, fazem disparar a compra de gadgets e equipamentos eletrónicos, acelerando a geração de resíduos num contexto em que a reciclagem formal ainda é insuficiente.
segundo Global E-waste Monitor 2024, só em 2022 foram geradas 62 milhões de toneladas de resíduos eletrónicos a nível mundial, equivalentes a cerca de 7,8 kg por pessoa.
A conjugação destes fatores demonstra que a Black Friday funciona como um catalisador do aumento de resíduos nestes dois setores. No vestuário, a compra de peças baratas e pouco duráveis aumenta a quantidade de têxteis descartados; enquanto na eletrónica, a aquisição acelerada de novos dispositivos aumenta a produção de e-waste, que muitas vezes não é recolhido nem reciclado de forma adequada, resultando em perda de materiais valiosos e em elevados riscos ambientais.
Estes dados reforçam acima de tudo a necessidade de políticas públicas mais robustas, focadas na responsabilidade alargada do produtor, de modo a incentivar as empresas a financiar a recolha e reciclagem de produtos. Em paralelo, é também fundamental promover a economia circular, incentivando a reparação e reutilização de bens, tanto no vestuário como na eletrónica.
Quanto ao consumidor, é essencial conhecer os impactos ambientais das compras impulsivas, como as decorrentes da Black Friday, de modo a poder fazer escolhas mais conscientes, como optar por roupas mais duráveis, reparar equipamentos eletrónicos ou priorizar marcas que adotem princípios de sustentabilidade.
É portanto verdadeiro que a Black Friday contribui para o aumento de resíduos de vestuário e eletrónica, embora seja apenas um fator dentro de uma tendência muito maior de consumo rápido e obsolescência programada, cujo efeito cumulativo no ambiente torna urgente repensar práticas de consumo e estratégias de economia circular, bem como as políticas de recolha e reciclagem.