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Isabel Lindim

A agricultura biológica é melhor para a saúde e para o ambiente? 

22 Nov 2023 - 01:49
São vários os fatores que comprovam que a agricultura biológica preserva – e nalguns casos regenera – os solos, polui menos e não é prejudicial para a saúde.
verdadeiro

Se pusermos de um lado da balança produtos de agricultura biológica e do outro os da chamada agricultura convencional, o que pesa mais é provavelmente o preço. Mas seja nos grandes supermercados ou nas pequenas mercearias dedicadas apenas a este tipo de produtos, a escolha tornou-se mais diversificada e os preços também. A diferença no valor é cada vez menor, mas em relação à nossa saúde, é cada vez maior.

A dieta mediterrânica tem em si características que facilitam uma alimentação saudável, variada e com muitos legumes, no entanto, os supermercados têm uma oferta bastante grande de produtos processados e carentes de proteínas, e sem componentes vegetais, frutos e leguminosas. Estamos a ir na direção errada quando não aproveitamos as tradições da região da Península Ibérica e pegamos no mais fácil na hora de comprar.

Uma parte do mundo vive com fome, e a outra parte com excesso, e uma prevalência de doenças ligadas à alimentação, como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e alguns tipos de cancro.

Uma alimentação saudável e variada é importante, mas se for com produtos biológicos significa que obedeceu a padrões ambientais que são bons para a terra que a produz, para a atmosfera, para a biodiversidade e para o organismo humano. Porquê?

Este símbolo garante que não foram utilizados organismos geneticamente modificados na produção dos alimentos que o ostentam

Saúde e agricultura biológica

  • Os alimentos têm outro sabor. Ou seja, há uma ligação direta com o prazer e as papilas gustativas, o que traz mais felicidade.
  • Não poluiu. No nosso dia-a-dia, ao respirarmos e bebermos água, existem micro-partículas provenientes de vários tipos de produções e indústrias, entre eles o sector agrícola convencional. Na agricultura biológica, esses elementos não se expandem no meio ambiente porque não estão presentes na produção.
  • Não utiliza pesticidas, prejudiciais à saúde, seja a curto ou a longo prazo. Numa tese de doutoramento apresentada na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, foi analisada a gordura do tecido subcutâneo de doentes operados (por diferentes quadros clínicos) e encontraram-se resíduos químicos pesticidas, tais como o DDT, que não eram comercializados há vários anos. Ou seja, os resíduos químicos mantêm-se durante toda a vida.
  • A saúde das pessoas que trabalham a terra na agricultura biológica é também mais preservada, porque não têm contacto direto com químicos nocivos.
  • A produção animal biológica não recorre ao uso de hormonas nem antibióticos, prejudiciais à saúde de quem consome.
  • Não se utilizam organismos geneticamente modificados, que são comprovadamente prejudiciais para a saúde. Segundo o regulamento n.º 834/2007 “os organismos geneticamente modificados (OGM) e os produtos obtidos a partir de OGM ou mediante OGM são incompatíveis com o conceito de produção biológica e com a perceção que os consumidores têm dos produtos biológicos. Em consequência, não deverão ser utilizados na agricultura biológica nem na transformação de produtos biológicos.”
  • Este regulamento diz também que: “A produção biológica é um sistema global de gestão das explorações agrícolas e de produção de géneros alimentícios que combina as melhores práticas ambientais, um elevado nível de biodiversidade, a preservação dos recursos naturais, a aplicação de normas exigentes em matéria de bem-estar dos animais e método de produção em sintonia com a preferência de certos consumidores por produtos obtidos utilizando substâncias e processos naturais.”

Em grande parte das produções biológicas melhora-se a fertilidade do solo porque se inserem elementos que o vão regenerar

Ambiente e agricultura biológica

  • Preserva o solo, sem aniquilar os seus nutrientes naturais com inserção de fertilizantes. A agricultura chamada convencional necessita de inputs externos constantes de pesticidas e fertilizantes de origem sintética que prejudicam os recursos como a água, o solo e a diversidade de plantas.
  • Em grande parte das produções biológicas melhora-se a fertilidade do solo porque se inserem elementos que vão regenerar. Na agricultura convencional há uma diminuição da matéria orgânica.
  • Promove a biodiversidade, ou seja, de uma forma geral, este tipo de agricultura fomenta a convivência de diferentes espécies.
  • Não recorre a pesticidas nem produtos agro-tóxicos ou adubos químicos.
  • Não recorre aos organismos geneticamente modificados, cujos efeitos a longo prazo são difíceis de avaliar, devido à sua expansão e multiplicação.
  • Recorre a métodos da compostagem, com a reutilização de resíduos, o que forma um ciclo de vida (são aproveitados para criar solo rico em nutrientes).
  • Deixa um impacto positivo no ecossistema, pois não aniquila outros tipos de vida, como os insetos, necessários à polinização.
  • Promove também a obtenção de produtos locais. O impacto social é positivo.
  • Um dos objetivos da União Europeia é reduzir em 50% o uso de pesticidas na agricultura europeia. Esta demanda está relacionada também com a sobrevivência dos solos.