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Nysse Arruda

Water World: viagem ao passado submerso da costa portuguesa

12 May 2025 - 03:49

Descodificador

Com o objetivo de revelar ao público o património subaquático descoberto na costa de Portugal, o Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS), em parceria com o Património Cultural, I.P. e com o patrocínio do EEA Grants inaugurou a exposição “Water World – o passado submerso”, que, até 29 de junho, inclui visitas guiadas às instalações em Xabregas e ao vasto acervo de verdadeiros tesouros subaquáticos.

Duas das seis Pirogas do Rio Lima, consideradas Tesouros Nacionais, datadas da Idade do Ferro (séculos IV-III A.C.) e da Idade Média (séculos VIII-X) dominam o cenário da exposição “Water World – o passado submerso» inaugurada no Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática (CNANS) em Xábregas (Rua da Manutenção, 5, Lisboa).

Na sala principal ainda estão expostos cepos e ânforas romanas encontradas num fundeadouro romano em Peniche, objetos de cerâmica e estanho e bocas-de-fogo em bronze, também classificadas como Tesouro Nacional recolhidas de um resto de navio construído no século XVII.

Nos laboratórios do CNANS estão ainda a ser tratadas as madeiras de navios do século XVI encontradas durante as obras do Metro no Cais do Sodré e também em Santos, Belém e Santa Apolónia, bem como os fragmentos do casco, artilharia em bronze, vestígios de especiarias (grãos de pimenta) e porcelana chinesa da carga da Nau São Francisco Xavier, naufragada em 1625 no Bugio, estudada desde 2018 pela equipa do ProCASC, um projeto de Arqueologia Subaquática do município de Cascais.

As duas pirogas da idade do ferro, encontradas no rio Lima, merecem lugar de destaque na exposição Water World, patente ao público até 29 de junho.

Os exemplos referidos são apenas algumas das peças históricas que estão a ser estudadas e tratadas, inclusive com recurso à impressão 3D, nos laboratórios do CNANS. O acervo agora exposto revela o vasto trabalho de documentação de sítios arqueológicos realizado nos últimos 15 anos, por uma variada equipa de profissionais em diferentes áreas de especialização – arqueologia, mergulho, conservação, restauro e museologia entre outras especialidades – tanto no terreno como em contexto laboratorial.

Como afirmou José Bettencourt, curador da exposição e Chefe da Divisão do Centro Nacional de Arqueologia Náutica e Subaquática, o objetivo é mostrar ao público a dimensão deste trabalho de pesquisa em diversos sítios arqueológicos de norte a sul da costa portuguesa, alguns tendo por base novas descobertas, outros revisitados a partir de diferentes perspetivas de estudo.

“Queremos dar acesso ao público a boa parte deste acervo que está nos laboratórios e zonas de tratamento do CNANS. É uma variedade de peças recuperadas dos naufrágios encontrados nos principais locais de pesquisa como rio Lima, Viana do Castelo, estuário do rio Arade, Sagres, Berlengas, Peniche e Lisboa ribeirinha, entre Bugio, Carcavelos, Cascais e Oeiras.”

José Bettencourt, Chefe da Divisão do Centro de Arqueologia Náutica e Subaquática, junto a uma Âncora do século XVII, descoberta junto ao Cabo Espichel.

Desenvolvido no período 2021-2024, o projeto Water World privilegiou uma abordagem integrada nos planos da salvaguarda, proteção, conservação, preservação, monitorização e disseminação do património cultural náutico e subaquático português, área sob tutela do Património Cultural, Instituto Público.

Entre as múltiplas ações concretizadas, destacam-se programas de formação e capacitação de recursos humanos, a conservação e o restauro de importantes bens arqueológicos visando a sua devolução às comunidades locais, a sistematização da informação e a monitorização de sítios arqueológicos, a par de diversas atividades de disseminação de informação.

 

Espada recoberta por sedimentos marinhos encontrada no rio Arade.

O CNANS foi o promotor do projeto predefinido “Water World – Building capacity and skills for the conservation and management of underwater heritage”, em parceria com o Museu Marítimo da Noruega, com um financiamento total de 995 mil euros, enquadrado pelo Programa Cultura dos EEA Grants, operado pelo Património Cultural, IP em parceria com a Direção-Geral das Artes.

A exposição fica patente ao público até 29 de junho próximo, podendo ser visitada de Quarta-feira a Domingo, entre as 14h00 e as 18h00. A entrada é livre e serão também disponibilizadas visitas guiadas ao interior do CNANS, a maior estrutura do país dedicada à Arqueologia Náutica e Subaquática, com marcação prévia por e-mail.