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Pureza Fleming

“Uma Peça para Quem Vive em Tempo de Extinções”: reflexões em palco sobre finitudes e sustentabilidade

4 Dec 2024 - 10:00

Descodificador

De 5 a 8 de dezembro de 2024, o Teatro do Bairro Alto, em Lisboa, apresenta “Uma Peça para Quem Vive em Tempo de Extinções”, uma produção do Teatro Nacional D. Maria II que convida o público a refletir sobre a finitude e as crises ecológicas que marcam o nosso tempo.

Este monólogo, escrito pela dramaturga e argumentista americana Miranda Rose Hall, propõe ao espectador sentir a vertigem da finitude, “através de uma caminhada ao longo de vários tempos”, levando-o a questionar o que significa vivermos em comunidade, num momento de extinção como o que se vive atualmente.

Ao longo da obra, a autora propõe uma reflexão sobre a comunidade humana e o seu papel num momento de colapso ambiental, desafiando-nos a encarar a fragilidade da nossa existência, questionando assim o que significa viver num mundo ameaçado pelo extermínio, através de temas como as extinções animais, a ecoansiedade e a autodestruição impulsionada pelo capitalismo. Em suma, o que pode cada um de nos fazer diante do fim?

A versão portuguesa, espaço cénico e figurinos está a cargo do encenador e produtor Guilherme Gomes e da atriz Ana Tang, que é também a intérprete da peça.

Enquadrada num movimento já conhecido como ecodramaturgia, a peça desafia até o conceito do próprio edifício teatral, à luz da atual situação de emergência climática. Por exemplo, a energia elétrica que ilumina a cena é neste caso gerada em palco e em tempo real, através de um mecanismo ativado por um coro, criado em parceria com alunos da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Este gesto não só evoca a questão do uso dos recursos naturais, como também coloca o público a refletir sobre as soluções energéticas do futuro.

A peça faz parte do projeto europeu STAGES (Sustainable Theatre Alliance for a Green Environmental Shift), que reúne 14 parceiros internacionais com o objetivo de “repensar a criação cultural diante dos desafios ambientais, promovendo práticas mais ecológicas e sustentáveis”.

Esta produção faz parte do projeto europeu STAGES (Sustainable Theatre Alliance for a Green Environmental Shift), que reúne 14 parceiros internacionais com o objetivo de “repensar a criação cultural diante dos desafios ambientais, promovendo práticas mais ecológicas e sustentáveis”.

Além de “testar soluções sustentáveis para o setor face à emergência climática”, este movimento pretende ainda “explorar novas formas do teatro contribuir para um futuro mais sustentável, evitando deslocações de pessoas e objetos, e utilizando recursos locais na criação e circulação dos espetáculos”.

O espetáculo preocupa-se também com a acessibilidade, pois todas as sessões terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa e audiodescrição, garantindo-se assim que o maior número possível de pessoas possa vivenciar a experiência.

No final da sessão de 6 de dezembro haverá uma conversa com a equipa artística, também com interpretação em Língua Gestual Portuguesa, para que o público tenha oportunidade de dialogar sobre os temas da peça e as práticas sustentáveis adotadas.

“Uma Peça para Quem Vive em Tempo de Extinções” não é apenas uma obra de reflexão sobre a crise ambiental, mas também um exemplo prático de como o teatro em particular e a cultura em geral, se pode transformar de modo a responder aos desafios contemporâneos.

Ao integrar práticas sustentáveis e reflexões profundas sobre a nossa relação com o mundo natural, este espetáculo promete ser uma experiência única, onde a arte se mescla com a urgência da sustentabilidade.

Quando: 5 a 8 de dezembro, 2024

Onde: Teatro do Bairro Alto, Lisboa