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Nelson Barros elencou os vários desafios ambientais durante um simpósio internacional promovido pelo projeto ‘Compor Mundos. Humanidades, Bem-estar e Saúde’ da Universidade Fernando Pessoa, tendo como referência os objetivos de desenvolvimento sustentável da Agenda 2030 das Nações Unidas. Presente no encontro, o Green eFact elenca os tópicos descritos pelo professor.
Alterações climáticas
As alterações climáticas são o primeiro problema apontado por Nelson Barros. Neste contexto, o investigador defende a aplicação de “medidas agressivas” para reduzir as emissões de gases com efeitos de estufa, a transição para fontes de energia renováveis, a melhoria da eficiência energética e o investimento em tecnologias de captura e armazenamento de carbono.
Para o especialista, é preciso “controlar as alterações climáticas, controlar as nossas emissões de gases com efeitos de estufa, tentar fazer uma transição energética para as energias renováveis e, acima de tudo, perceber a nossa limitação sob o ponto de vista energético”.
Perda de biodiversidade
A “perda de biodiversidade” é o segundo problema descrito pelo investigador. Para Nelson Barros, é necessário proteger e restaurar os ecossistemas, pôr termo à desflorestação e conservar as espécies ameaçadas, de forma a manter a biodiversidade e os chamados serviços ecossistémicos, isto é, os benefícios que o ser humano obtém dos ecossistemas.
“Essa perda de biodiversidade é acompanhada pela desflorestação acentuada em particular em algumas zonas do planeta, nomeadamente na Amazónia, e vem muitas vezes associada ao crime ambiental, como o tráfego de madeiras, por exemplo.”
Poluição atmosférica
A poluição atmosférica é o terceiro problema ambiental referido por Nelson Barros. Para combatê-la, é necessário reduzir as emissões atmosféricas provenientes de fontes como os transportes, a indústria, a agricultura e o aquecimento residencial, de forma a melhorar a saúde pública e atenuar a degradação dos ecossistemas.
Nelson Barros refere-se à poluição atmosférica como o “parente pobre” desta lista, considerando que tendencialmente é um problema ambiental pouco falado, em comparação com a “poluição das águas, dos solos e os resíduos”.
“O que os olhos não veem, o coração não sente”, justifica, mas a poluição atmosférica “está presente” e é preciso assegurar a qualidade do ar.
Nelson Barros refere-se à poluição atmosférica como o “parente pobre” desta lista, considerando que tendencialmente é um problema ambiental pouco falado.
Uso indevido da água
O quarto problema descrito pelo investigador refere-se ao uso indevido da água. Nelson Barros apela à conservação deste recurso, nomeadamente através da aplicação de estratégias eficientes de gestão da água e do investimento em tecnologias de poupança de água. O perito também considera importante proteger as fontes de água doce da poluição e da extração excessiva.
“Praticamente 99% da nossa água [em Portugal] é controlada, o que é excelente. Regamos o nosso jardim com água potável, lavamos o carro com água potável”, refere o especialista.
“No entanto, depois gastamos também 75% da nossa água na agricultura. Tudo isto tem de mudar. Há que mudar a nossa maneira de ver e de usar os nossos recursos.”
Desflorestação e degradação dos solos
A desflorestação e a degradação dos solos são o quinto problema apontado por Nelson Barros. Segundo o especialista, é necessário acabar com a desflorestação, recuperar as terras degradadas e promover práticas sustentáveis de utilização dos solos, para preservar os ecossistemas, sequestrar o carbono e proteger a biodiversidade.
“A forma como usamos o solo tem de mudar radicalmente”, alerta o professor. “Temos de promover o uso sustentável do solo de forma a preservar os ecossistemas e contribuir para a sequestração do carbono, através do combate à desflorestação. A floresta tem um papel muitíssimo importante também na sequestração de carbono.”
É necessário acabar com a desflorestação, recuperar as terras degradadas e promover práticas sustentáveis de utilização dos solos, para preservar os ecossistemas, sequestrar o carbono e proteger a biodiversidade.
Poluição por plásticos
“Combater o problema crescente da poluição por plásticos” também é importante, refere o especialista. Nelson Barros defende a redução da produção e do consumo de plásticos, a melhoria dos sistemas de gestão de resíduos e a promoção da reciclagem alternativa.
“Temos de reduzir a utilização deste tipo de produto, que tendencialmente se mantém no meio ambiente, muitas vezes de forma invisível”, sublinha o professor. “Ainda não percebemos muito bem quais são os impactos dos microplásticos e, por isso, efetivamente é um desafio enorme”, refere.
Saúde dos oceanos
O sétimo problema apontado por Nelson Barros refere-se à saúde enfraquecida dos oceanos. O especialista defende a preservação da biodiversidade e dos ecossistemas marinhos, através da redução da poluição, do combate à sobrepesca e à pesca destrutiva e da definição de zonas marinhas protegidas.
“Temos de estabelecer formas de proteção e salvaguarda do oceano e só assim poderemos também salvaguardar a biodiversidade [marinha]”, refere.
Nelson Barros defende a redução da produção e do consumo de plásticos, a melhoria dos sistemas de gestão de resíduos e a promoção da reciclagem alternativa.
Insegurança alimentar e agricultura insustentável
A insegurança alimentar e práticas agrícolas pouco sustentáveis são o oitavo problema descrito pelo professor. Num cenário de crescimento populacional global, é preciso garantir alimentos para todos, promovendo simultaneamente práticas agrícolas sustentáveis que conservem o solo, a água e a biodiversidade, e que minimizem as emissões de gases com efeito de estufa.
“A forma como neste momento produzimos os nossos alimentos muitas vezes não é sustentável e isso tem impactos quer nos diferentes reservatórios ambientais, como a água, o ar e o solo, quer também na biodiversidade”, diz Nelson Barros. “A produção de alimentos tem de obviamente seguir um caminho sustentável”, defende.
Pressão sobre as cidades
Em nono lugar, Nelson Barros alude a “uma dificuldade acrescida” na gestão dos espaços urbanos e das infraestruturas, devido ao crescimento populacional das cidades.
“Neste momento, temos mais de metade da população em meio urbano e a tendência é chegarmos quase aos dois terços nos próximos anos. É um problema que vamos ter de enfrentar”, diz o especialista em ciências do ambiente.
Nelson Barros alerta para os “impactos ambientais”, decorrentes de “uma concentração enorme de população” e apela à sustentabilidade dos espaços urbanos.
Depleção dos recursos
Para Nelson Barros, também é necessário combater a depleção de recursos, termo que se refere à exaustão gradual de recursos que não podem ser reabastecidos pela natureza.
Para reduzir o esgotamento dos recursos e a produção de resíduos, importa promover a eficiência, os princípios da economia circular e padrões de consumo e produção sustentáveis.
“A teoria de crescer e multiplicar não funciona num sistema fechado. Não podemos crescer infinitamente num mundo finito”, refere o investigador. “Os princípios da economia circular, a promoção da eficiência e a reutilização são fundamentais (…) para contornar a depleção de recursos.”
É cada vez mais necessário combater a depleção de recursos, termo que se refere à exaustão gradual de recursos que não podem ser reabastecidos pela natureza.
Injustiça ambiental
O professor também apela ao combate de injustiças ambientais. Nelson Barros diz que é preciso abordar as desigualdades ambientais e garantir que as comunidades vulneráveis, incluindo os povos indígenas e os grupos marginalizados, sejam protegidas dos danos ambientais e tenham acesso a ar, água e terra limpos.
“O espaço ambiental é de todos e para todos. Para que haja equilíbrio, é preciso justiça. É através da justiça ambiental que podemos chegar à proteção ambiental, nomeadamente ter ar mais puro, água e solos mais protegidos”, refere.
Ineficiência energética
O último problema refere-se aos “aspetos energéticos” que, para o investigador, são “transversais” a todos os tópicos anteriormente referidos. “A maior parte das pessoas não faz ideia daquilo que são os nossos gastos energéticos”, diz o investigador.
“É comum vermos nos nossos media notícias como ‘Portugal está a produzir 90% da sua energia. As pessoas ficam contentes, mas esquecem-se de um detalhe. Estamos efetivamente a produzir 90% da nossa energia elétrica, que é 25% do nosso balanço energético nacional, o que significa que gastamos 75% de combustíveis fósseis para sustentar a nossa qualidade de vida”, sublinha.
Face a este problema, Nelson Barros diz que é necessário acelerar a transição para as fontes de energia renováveis, como a energia solar, eólica e hidroelétrica, e eliminar gradualmente os combustíveis fósseis para descarbonizar o setor da energia e atenuar as alterações climáticas.
É necessário acelerar a transição para as fontes de energia renováveis, como a energia solar, eólica e hidroelétrica.
É possível resolver estes problemas até 2030?
Questionado pelo Green eFact sobre o que realisticamente pode ser resolvido até 2030, Nelson Barros responde que “atingirmos os objetivos de desenvolvimento sustentável para 2030 vai ser muito difícil”, sobretudo pela falta de “envolvimento das pessoas”.
“As pessoas têm de querer desempenhar o seu papel. Têm de aprender a ter um comportamento mais sustentável, não podem só queixar-se do sistema”, referiu Nelson Barros, que considera que “os cidadãos têm uma palavra muito maior do que acham”.
Subir os degraus de uma escada convencional em vez de usar escadas rolantes é um exemplo paradigmático do que podemos fazer pelo ambiente no nosso dia a dia, diz Nelson Barros.
“Não vamos conseguir resolver os 12 problemas, principalmente se olharmos para o planeta todo”, acrescentou o especialista. “Nós aqui na Europa temos uma ideia muito antropocêntrica. Acreditamos que o resto do planeta está mais ou menos no mesmo nível, mas não está. Nem toda a gente rega o jardim com água potável.”
Considerando que “sob o ponto de vista do desenvolvimento humano, 2030 é já amanhã”, Nelson Barros reafirma a importância de sensibilizar a sociedade para as temáticas do ambiente. Para o professor, subir os degraus de uma escada convencional em vez de usar escadas rolantes é um exemplo paradigmático do que podemos fazer pelo ambiente no nosso dia a dia.