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Pureza Fleming

Quais as proteínas em pó mais amigas do ambiente?

24 Feb 2024 - 10:00
Os suplementos de proteína em pó representam uma das maneiras mais sustentáveis de aumentar a ingestão proteica na dieta. Seja para atletas de alto rendimento ou praticantes regulares de atividade física, este tipo de suplemento é amplamente utilizado. Além de considerações como custo, sabor e textura, os consumidores examinam minuciosamente a proporção entre gordura e proteína, assim como a composição precisa dos aminoácidos presentes em cada suplemento.

À medida que a consciencialização sobre as consequências ambientais das escolhas alimentares aumenta, a demanda dos consumidores por alternativas à base de plantas em substituição da carne e outros alimentos de origem animal também cresce, em parte devido à perceção de que os alimentos vegetais têm um impacto menor no meio ambiente.

A boa notícia é que praticamente qualquer proteína em pó que escolhamos será ecologicamente mais correta em comparação com o consumo de um bife ou de um peito de frango grelhado. A conclusão surge a partir de um estudo de 2019, realizado por investigadores da Universidade Estadual do Arizona.

“Se eu estivesse a aconselhar uma forma de suprir as necessidades de proteína, concordaria definitivamente que a proteína em pó tem impactos ambientais menores do que comer carne em geral”, asseverou Andrew Berardy, autor da pesquisa, ao Washington Post.

Isto ocorre porque os tipos mais populares de proteína em pó — incluindo soro de leite ou as proteínas de ervilha e soja — vêm de plantas ou são subprodutos do processamento de alimentos, o que reduz as emissões de carbono.

Qualquer consumo de proteína em pó é ecologicamente mais correto que comer um bife ou um peito de frango.

Ainda assim, existem algumas questões que devem ser colocadas para avaliar quão ecológica poderá ser a proteína em pó. Algumas características a serem consideradas incluem:

Origem da Proteína: Proteínas em pó feitas a partir de fontes vegetais, como ervilha, arroz, soja, cânhamo e algas, tendem a ter uma pegada ambiental menor em comparação com proteínas de origem animal.

Métodos de Produção: Algumas empresas utilizam métodos de produção mais sustentáveis que consomem menos recursos naturais e geram menos resíduos.

Embalagens Sustentáveis: Optar por marcas que usem embalagens recicláveis ou biodegradáveis pode reduzir o impacto ambiental.

Produção Local: Escolher proteínas produzidas localmente pode reduzir a pegada de carbono associada ao transporte de mercadorias.

Certificações Sustentáveis: Algumas marcas possuem certificações que atestam práticas sustentáveis nas respetivas cadeias de produção.

O soro de leite é considerado um ingrediente de baixo impacto por se tratar de um subproduto da indústria de laticínios.

No entanto, como afirmou o autor do estudo, “proteína em pó que utiliza co-produtos, subprodutos ou resíduos de outras indústrias terão um impacto menor”. Acrescentou ainda que o soro de leite — por enquanto — constitui uma boa opção. Este ingrediente é normalmente considerado de baixo impacto, por se tratar de um subproduto de baixo valor da indústria de laticínios: “Não há muito o que fazer com este produto, portanto faz todo o sentido usá-lo na criação de proteína em pó”, sublinhou.

Décadas atrás, o soro de leite era considerado um resíduo e era muitas vezes despejado, poluindo os cursos de água — hoje isso é uma prática ilegal nos Estados Unidos. Por este motivo, as empresas passaram a evaporar o soro de leite líquido até restar apenas um pó rico em proteínas, que passou a ser refinado como proteína de soro de leite.

Sendo o soro de leite um subproduto da fabricação de queijo, a maioria dos especialistas em sustentabilidade tende a atribuir quase todas as emissões de carbono e impacto ambiental do gado leiteiro ao leite e queijo, e muito pouco ao soro de leite. No papel, tal significa que o soro de leite tem um custo ambiental muito baixo.

Décadas atrás, o soro de leite era considerado resíduo e era muitas vezes despejado, poluindo os cursos de água.

Todavia, como para alguém intolerante à lactose, o soro de leite poderá não ser a melhor opção, pelo que existem muitas outras soluções, à base de plantas (e não só) disponíveis no mercado:

Proteína à base de soja ou de ervilha

A proteína feita de soja é uma boa opção para veganos e intolerantes à lactose, mas, por outro lado, uma escolha de alto risco já que pode contribuir para o desmatamento de locais como a Amazónia. O Brasil é o maior produtor mundial de soja e a Amazónia um dos maiores reservatórios de carbono do mundo, mas esta capacidade está a diminuir à medida que a floresta arde para serem criados mais pastagens e campo agrícolas.

A opção é optar por soja que não tenha como origem países com altas taxas de desmatamento ou, em contrapartida, consumir proteína feita de outro ingrediente, como a ervilha, também muito popular.

Proteína em pó à base de insetos

Há um pequeno número de proteína em pós à base de insetos no mercado. Geralmente, estas são feitas de grilos, um ingrediente ainda assim considerado, na maior parte das vezes, mais sustentável do que alternativas como o soro de leite ou até a proteína de ervilha.

Lembre-se de que a avaliação da pegada ambiental de um produto pode ser complexa, e é sempre útil pesquisar sobre as práticas específicas de cada marca. O mercado das proteínas em pó sustentáveis está em constante evolução e crescimento, pelo que novas opções surgem a todo o momento.