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Sara Pinho

Podemos suprir as necessidades energéticas das cidades instalando painéis fotovoltaicos nos telhados?

19 Feb 2024 - 10:00
A instalação de painéis fotovoltaicos nos telhados pode contribuir significativamente para satisfazer as necessidades energéticas das cidades, mas a eficácia da energia solar depende de vários fatores, como a disponibilidade de luz solar, o espaço disponível no telhado, o armazenamento de energia, a localização geográfica e a integração com a rede elétrica existente.

A Zero – Associação Sistema Terrestre Sustentável defende numa intervenção integrada que vise a eficiência das cidades no consumo de energia, o conforto da população e uma produção energética com menor emissão de gases com efeito de estufa – objetivos estes que terão de passar pelas energias renováveis, pela construção e por coberturas verdes.

O relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) de 2022 explica-nos, por exemplo, que o aumento da temperatura melhora a eficiência do aquecimento solar, mas diminui a eficiência dos painéis fotovoltaicos.

Tendo em conta que os cenários apontam para o contínuo aumento das temperaturas, segundo a Zero, será fundamental atuar na construção e reabilitação dos edifícios, no sentido de reduzir as trocas de energia do edifício com o exterior, fazer retenção da água da chuva e proteger os materiais de construção da ação do clima, além de introduzir espaços verdes para combater o efeito das ilhas de calor que se criam em muitas cidades.

Segundo o Departamento de Energia dos EUA, a energia fotovoltaica nos telhados “poderia, tecnicamente, satisfazer 39% da procura total de eletricidade”.

Há no entanto outros desafios por ultrapassar, de acordo com o relatório “Solar Cities and Solar Regions: 21 solar solutions for the city energy transition”. Entre eles, está o elevado consumo de eletricidade com um espaço limitado, que tem impacto no acesso a superfícies solares elegíveis; ou os custos iniciais da instalação destes equipamentos, que podem dificultar o envolvimento dos cidadãos na transição energética ou mesmo excluí-los dela.

Além disso, apontam-se as dificuldades que os municípios podem ter de enfrentar no acesso aos mercados de eletricidade, devido à falta de dados e de conhecimento especializado.

Num artigo que toca em vários fatores que estão a moldar a forma como as cidades adotam as energias renováveis, escrito em 2017, o jornal The Guardian menciona um relatório do Departamento de Energia dos EUA que conclui que a energia fotovoltaica nos telhados “poderia, tecnicamente, satisfazer 39% da procura total de eletricidade”.

Mesmo assim, a maioria dos americanos não poderia efetivamente usufruir dos seus benefícios, pelo facto de, entre outras razões, os telhados não serem adequados, serem arrendatários dessas casas ou não poderem suportar os custos iniciais da instalação. Conclui-se ainda que esses fatores prevalecem em ambientes urbanos e em comunidades com baixos rendimentos.

O aumento da temperatura melhora a eficiência do aquecimento solar, mas diminui a eficiência dos painéis fotovoltaicos.

Contudo, a energia solar pode vir a tornar-se uma grande aliada das cidades e desempenhar um papel central na garantia de soluções sustentáveis.

É isso que nos diz relatório da SolarPower Europe: parte das soluções passa pela partilha de energia, pela criação de comunidades energéticas, pela difusão de informação, pela instalação de energia solar em edifícios e serviços públicos e pela democratização energética.

Embora a instalação de painéis solares nos telhados possa ser uma componente valiosa para suprir as necessidades energéticas das cidades, é necessária uma abordagem diversificada para criar uma infraestrutura energética mais sustentável e resiliente.