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Pureza Fleming

Estaremos mais perto do fim da moda descartável?

10 Feb 2024 - 10:00
Em 2022, o mercado da fast-fashion estava avaliado em cerca de 97 mil milhões de euros, hoje já passa os 111 mil milhões e, em 2027, de acordo com um relatório da consultora Business Research Company, as estimativas dizem que já deverá ter ultrapassado os 164 mil milhões.

segundo o Centro Comum de Investigação da União Europeia, cada cidadão europeu desfaz-se, em média, de 11 quilos de material têxtil por ano. Em Portugal, só em 2020, a Agência Portuguesa do Ambiente contabilizou 189.528 toneladas de têxteis nos resíduos urbanos nacionais, o que representa 4,6% de todo o lixo gerado no país e corresponde a cerca de 19 quilos anuais por cada português.

Entre as várias consequências deste movimento de aceleração e globalização de produção têxtil, estão os problemas ambientais provocados pela quantidade roupa que acaba no lixo depois de deixar de ser útil: se uma parte é colocada em contentores para reutilização, outra parte ainda maior segue para contentores indiferenciados, cujo único destino é o aterro e a incineração.

O consumo de têxteis na UE é o fator que tem o quarto maior impacto no ambiente e nas alterações climáticas, a seguir aos alimentos, à habitação e à mobilidade. Além disso, é o terceiro em termos de utilização dos recursos hídricos e dos solos e o quinto em termos de utilização de matérias-primas primárias e de emissões de gases com efeito de estufa.

O consumo de têxteis na UE é o fator que tem o quarto maior impacto no ambiente e nas alterações climáticas, a seguir aos alimentos, à habitação e à mobilidade.

estratégia da UE em prol da sustentabilidade e circularidade dos têxteis, respeitante à produção e ao consumo de têxteis, mas reconhecendo simultaneamente a importância do setor, integra os compromissos do Pacto Ecológico Europeu, do novo plano de ação para a economia circular e da estratégia industrial europeia.

Ao analisar o ciclo de vida dos produtos têxteis, e ao propor ações para alterar a forma como os produzimos e consumimos, a estratégia define uma nova abordagem, tratando estas questões de forma harmonizada.

Segundo a Agência portuguesa do Ambiente, só em 2020 cada português enviou para o lixo uma média de 19 quilos em têxteis.

Para 2030 estes são alguns dos principais objetivos da Comissão Europeia relativos ao setor têxtil:

– Todos os produtos têxteis colocados no mercado europeu deverão ser duradouros, reparáveis e recicláveis, fabricados em grande parte com fibras recicladas, livres de substâncias perigosas e produzidos respeitando direitos sociais e o ambiente;

– A moda descartável deverá estar “fora de moda” e os consumidores poderão desfrutar mais tempo de produtos têxteis de alta qualidade e a preços acessíveis;

– Estarão amplamente disponíveis serviços de reutilização e reparação rentáveis;

– O setor têxtil deverá ser competitivo, resiliente e inovador, sendo os produtores responsáveis pelos produtos ao longo de toda a cadeia de valor, existindo suficiente capacidade de reciclagem, incineração e deposição em aterro.

A Comissão Europeia quer por a moda descartável “fora de moda”, incintivando a produção de têxteis mais duradouros e fáceis de reparar.

Para alcançar estes objetivos, a Comissão Europeia já definiu uma série de ações para o futuro, tais como:

– Estabelecer requisitos de design para têxteis, tornando-os mais duradouros e fáceis de reparar e de reciclar;

– Introduzir informações mais claras sobre os têxteis e um passaporte digital de produtos;

– Capacitar os consumidores e combater o greenwashing, garantindo a precisão das alegações ambientais das empresas;

– Acabar com a sobre-produção e o consumo excessivo, desencorajando a destruição de têxteis não vendidos ou devolvidos;

– Harmonizar as regras da UE sobre a responsabilidade do produtor, incentivando a produção de têxteis mais sustentáveis;

– Combater a emissão não intencional de microplásticos provenientes de têxteis sintéticos.

Segundo a nova estratégia de Comissão Europeia para 2030, o setor têxtil deverá ser competitivo, resiliente e inovador, sendo os produtores responsáveis pelos produtos ao longo de toda a cadeia de valor.

A certificação têxtil será assim o melhor caminho para alcançar “um lugar ao sol” nesta renovada indústria. As certificações garantem que as práticas de produção utilizadas estão em conformidade com os mais altos padrões ambientais e sociais, desde a escolha das matérias-primas até às condições de trabalho justas em toda a cadeia de fornecimento. E estas acabam também por incentivar a inovação e o desenvolvimento de soluções sustentáveis.

Será assim possível tornar a indústria têxtil num setor mais verde, competitivo e sustentável? Talvez, desde que cada um faça a sua parte – incluindo os consumidores.