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A estratégia assumida pelo Estado Português pressupõe uma ação veemente em setores como o da energia, da construção e dos transportes, através de iniciativas estratégicas e de investimentos, acompanhada pela reconversão profissional de trabalhadores e a criação de novos empregos – uma consequência inevitável da descarbonização da economia, de acordo com o Fórum Económico Mundial.
Atualmente, tem-se assistido à expansão das energias renováveis e é dada primazia à eficiência energética e ao reforço de redes de transporte e infraestruturas sustentáveis.
Em abril de 2024, Portugal produziu 95% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, nomeadamente energia eólica, hídrica e solar. Meses antes, o país já tinha registado um outro recorde: de 31 de outubro a 6 de novembro de 2023, a produção de energia proveniente de fontes renováveis abasteceu todo o consumo nacional durante cerca de seis dias consecutivos.
de acordo com o estudo “A Economia Verde e a Evolução do Mercado de Trabalho em Portugal”, o denominado “emprego “verde” já representava 13,2% do emprego total em Portugal em 2019.
Quanto ao emprego “verde”, este representou 13,2% do emprego total em Portugal em 2019, de acordo com o estudo “A Economia Verde e a Evolução do Mercado de Trabalho em Portugal”, elaborado pelo Centro de Relações Laborais (CRL) em colaboração com a Universidade do Minho.
O estudo divide os empregos verdes em duas categorias diferentes: 1) as profissões com procura aumentada, onde não se espera haver uma mudança significativa nas tarefas e competências (abrangendo cerca de 145 mil trabalhadores); 2) e os empregos que irão sofrer uma reconversão para empregos verdes com a aquisição de novas competências para serem considerados verdes. Nesta categoria, serão abrangidos 150 mil efetivos.
A construção, a energia e o setor automóvel são as áreas que mais impactos irão sentir na transição para uma economia cada vez mais “verde”.
A construção, a energia e o setor automóvel são aqueles que mais impactos irão sentir. “Não interessa só dizer que o emprego é de 12 ou 13%, também interessa perceber que há setores que vão desaparecer e que outros se vão reconverter. E, nesses casos, vai ter que haver um esforço grande de reconversão profissional”, explica-nos João Cerejeira, professor de Economia na Universidade do Minho e um dos autores do estudo supracitado.
Da conversa, ficaram ideias-chave como: os esforços para as questões da sustentabilidade e da transição energética são transversais a todos os setores da economia; é fundamental o investimento em transportes públicos, para acelerar a descarbonização da economia; e os empregos ‘verdes’ tendem a ter salários mais elevados.
O economista e investigador usa o encerramento da refinaria da Galp de Matosinhos e da Central termoelétrica de Sines e a eventual abertura de uma mina em Boticas para falar sobre os impactos, a nível local, que a transição energética gera, rematando que “a tal ideia de transição justa passa por aqui”.
Defende ainda que, sendo os benefícios globais, “os prejuízos muito concentrados” e terão de ser criadas medidas de compensação, em parceria com as comunidades locais, para suavizar as transformações vindouras.