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Com o objetivo de tornar o surf mais acessível e menos poluente, usando tecnologia para viabilizar a economia circular, os surfistas portugueses Manuel Antunes e João Aires criaram a Board Exchange em Maio de 2024 e rapidamente reuniram mil pranchas usadas e 400 acessórios reutilizados num armazém em Carcavelos.
“É uma loja, um armazém e um centro logístico e digital, com recurso de IA, automação e robótica para classificar as pranchas, gerir inventário e otimizar os processos de compra e venda”, explicam os fundadores, João Aires, surfista e geógrafo com experiência em sustentabilidade e recursos humanos, que tem a seu lado o amigo de infância, surfista e investidor em tecnologias limpas Manuel Antunes
Manuel Antunes e João Aires criaram em 2024 o projeto Board Exchange “Com o objetivo de tornar o surf mais acessível e menos poluente”.
Os dois surfistas encontraram assim uma resposta prática a um problema real na comunidade surfista, pois as pranchas são fabricadas com materiais não recicláveis como poliuretano, resina epóxi, fibra de vidro e fibra de carbono.
“Cada prancha de surf nova é feita com estes materiais derivados do petróleo, que não são recicláveis. Sabíamos que havia uma oportunidade de reutilizar melhor as pranchas de surf, de forma mais justa e mais tecnológica.”, explica Manuel Antunes.
No armazém em Carcavelos, um espaço de 70 metros quadrados, há uma variedade de pranchas de surf de todas as marcas e preços (longboard, shortboard, funboard, modelos para surfistas iniciantes e intermédios e também para diferentes tipos de ondas, inclusive as grandes ondas).
“Temos por exemplo em stock uma prancha que foi da célebre surfista francesa de ondas gigantes Justine Dupont, a primeira mulher a surfar as ondas gigantes em Jaws no Havaí e no mítico spot Cortes Bank, na costa da Califórnia, que hoje vive entre o sudoeste da França e a Nazaré, onde em 2020 venceu o Nazaré Tow Challenge”.
Também já tiveram uma prancha do surfista brasileiro Ítalo Ferreira (primeiro campeão olímpico da história do surf em 2021 e campeão mundial do WSL), do australiano Joel Parkinson (vitorioso em 10 eventos do ASP World Tour) e ainda uma prancha de coleção que pertenceu ao surfista havaiano Andy Irons, tricampeão mundial que faleceu em 2010.
No armazém em Carcavelos, um espaço de 70 metros quadrados, há uma variedade de pranchas de surf de todas as marcas e preços.
O modelo deste negócio sustentável é de fácil utilização, pois basta a quem quiser comprar uma prancha fazer o agendamento de uma visita ao armazém em Carcavelos, onde pode ver as mais de 200 pranchas em stock e escolher a preferida, pagando através dos sistemas digitais disponibilizados pela Board Exchange (cartão bancário, Apple Pav, Google Pay ou a crédito).
Para aqueles que querem vender, o processo também é simples, com o agendamento de visita, a criação de um perfil de utilizador com indicação do IBAN e a inclusão da prancha na base de dados da empresa. Quando ocorrer a venda é enviado um e-mail automaticamente e é realizada a transferência bancária, com o desconto da comissão da Board Exchange.
“Temos realizado vendas internacionais para o centro da Europa, para países como Alemanha, Grécia, Lituânia e República Checa, que dispõem de piscinas de ondas. O transporte é feito por camião e esse custo é acrescentado ao preço da prancha.”, detalha João Aires.
Quem quiser comprar basta fazer o agendamento de uma visita ao armazém em Carcavelos, onde pode ver as mais de 200 pranchas em stock e escolher a preferida.
Em Abril passado a empresa inaugurou o seu primeiro espaço além fronteiras, em Sydney, Austrália, com o objetivo de levar este modelo de negócio a outros mercados, onde o surf é cultura e o consumo de pranchas continua a gerar resíduos difíceis de reciclar.
Espanha será o próximo destino, com o lançamento deste novo espaço previsto ainda para 2025. Entretanto, em Carcavelos, está previsto para breve um novo serviço de Test Drive, para os surfistas indecisos poderem experimentar pranchas antes de as comprar: uma solução inovadora no mercado nacional e apenas possível por estes produtos estarem a receber uma segunda vida.